Alguém já disse que morremos duas vezes; "a segunda morte é o esquecimento ao qual nos condenam". Mazzaropi foi muito amado por pessoas simples que se identificavam com ele e ignorado por intelectuais em geral.
Nas pesquisas encontrei todo tipo de crítica e eu é que as ignorei.
Como diz Eva Paulino Bueno em seu livro "O Artista do Povo: Mazzaropi e Jeca Tatu no cinema do Brasil":
 
“O que Mazzaropi insistentemente explora em seus filmes é o choque do reconhecimento e a sensação de estranhamento, elementos simultâneos que tais brasileiros deslocados percebem quando se confrontam com “outros brasileiros” semelhantes e diferentes ao mesmo tempo”.

A autora nota que o cineasta não produz documentários sobre o Brasil; mas seus filmes expressam uma maneira de ver e explicar o país, seu povo e sua história: “Os filmes não são, portanto, exercícios de conservadorismo. Pelo contrário, cada filme funciona como um estudo de como o Brasil tradicional e rural encontra-se com o Brasil moderno e urbano e sobre as implicações desse encontro na vida cultural, lingüística, política e emocional não apenas dos migrantes recém-chegados mas também daqueles que já habitavam o espaço urbano. Em cada filme há os mesmos problemas comuns: perda de terra, perigo de perder os membros da família no novo e predominante ambiente cultural e tentativas para se prevenir dessas calamidades. Todavia, cada filme apresenta os problemas de forma diferente. As soluções dos conflitos específicos são tão variadas quanto os filmes.”

Terminando esta série, à guisa de homenagear Mazzaropi, não poderia deixar de colocar alguns dos links que foram utilizados nas pesquisas, caso alguém queira saber mais sobre sua vida e sua obra.
No link abaixo, há um trecho de uma entrevista que ele concedeu à revista Veja em 28/01/70:
 
http://www.museumazzaropi.com.br/mn_hist.htm
 
Sua cronologia se encontra aqui:
 
http://www.museumazzaropi.com.br/mn_crono.htm
 
Os filmes que ele produziu se encontram no link a seguir:
 
http://www.museumazzaropi.com.br/mn_filme.htm
 
A Wikipedia também emprestou um espaço para contar sobre o artista.
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A1cio_Mazzaropi
 
 
Outros links
http://www.cinebr.com/artigo.php?id=70
www.cinemagia.com
http://www.cinebr.com/artigo.php?id=70  
 
TRANSCRIÇÃO:
  
"O Recordista do Cinema Nacional
 

"HÁ QUEM DIGA QUE NAS ARTES, ASSIM COMO NA VIDA, É MUITO MAIS DIFÍCIL FAZER RIR DO QUE CHORAR”
 
"O que dizer então de um artista genial que conseguiu com sua simplicidade fazer as tristezas parecerem pequenas, minúsculas, esquecidas no escuro de uma sala de cinema e que nos devolveu a alegria através de enormes e incontroláveis gargalhadas, daquelas das boas mesmo?"
 
"Um artista que fez da luz da tela prateada um espelho, mostrando sem medo e sem vergonha alguma a alma brasileira em suas mais diversas facetas: o pobre trabalhador, o desempregado honesto, o torcedor fanático, o cangaceiro atrapalhado, o puritano, o pai de família, o pai de criação, o herói por acaso, o filho órfão, e dentre tantos e tantos, um tipo que criou para si como um emblema, um ícone que o imortalizou: o ingênuo e doce, porém esperto – caipira! "
 
"Não é preciso muito, basta olhar para ele, e mesmo que ele não fale nada, não mexa um músculo, não há como evitar o riso. E o riso só aumenta com seu jeito de andar, de falar, de desafiar as convenções de uma forma inventiva, matreira, astuta."
 
"E talvez por ter interpretado este povo de uma forma tão genuína, é que ele sempre tenha sido tão mal-entendido e tão pouco reconhecido pelos ditos e pretensos intelectuais, críticos de plantão e pela alta classe dominante, que sempre cobraram de Mazzaropi relevância, discurso, engajamento e sempre o culparam por realizar uma obra escapista, da fuga da realidade."
 
"Fez de tudo, falou de tudo: o crescimento da burguesia, a herança da monarquia, a democracia, o capitalismo cruel e desenfreado das grandes cidades em contra-ponto à realidade não menos dura e injusta da vida do campo: foi dos primeiros a falar na tela sobre o machismo, o divórcio, a liberação sexual, os abusos do poder em vários níveis, do preconceito aos negros: a criticar a burocracia generalizada, a confrontar as autoridades em seus filmes. Sua arma: a simplicidade. Seu discurso: o riso."
 
"... Ele era o povo na tela, e o povo na vida real o compreendia, se reconhecia na tela e correspondia à altura."
 
"Este caso de amor entre o artista e seu público geraria ao todo 32 filmes e nenhum fracasso.
 
FILMOGRAFIA DE MAZZAROPI:
 
- Sai da frente -1952
- Nadando em dinheiro -1952
- Candinho -1953
- A carrocinha -1955
- O gato de madame -1956
- Fuzileiro do amor -1956
- O noivo da girafa -1957
- Chico fumaça -1958
- Chofer de praça -1958
- Jeca tatu -1959
- As aventuras de Pedro Malasartes -1960
- Zé do periquito -1960
- Tristeza do Jeca -1961
- O vendedor de lingüiça -1962
- Casinha pequenina -1963
- O lamparina -1964
- Meu Japão brasileiro -1964
- O puritano da Rua Augusta -1965
- O corintiano -1966
- O Jeca e a Freira -1967
- No paraíso das solteironas -1968
- Uma pistola para Djeca -1969
- Betão ronca ferro -1970
- O grande xerife -1972
- Um caipira em Bariloche -1973
- Portugal minha saudade -1973
- O Jeca macumbeiro -1974
- Jeca contra o capeta -1975
- Jecão...um fofoqueiro no céu -1977
- Jeca e o seu filho preto -1978
- A banda das velhas virgens -1979
- O Jeca e a égua milagrosa -1980 "
 
Fonte: www.cinemagia.com
 
  Os posters foram obtidos em vários endereços, inclusive de lojas que vendem os filmes do Mazzaropi.
Se propiciei alguma reflexão sobre a cultura brasileira e estimulei alguém a assistir algum dos filmes, valeu a homenagem.

Se eu pudesse diria a ele:

Obrigada Mazza por tanta alegria !!!!
 
 
Música de fundo:
Orquestra Paulistana de Viola Caipira
Mix de Toadas
 
Pesquisa e formatação
reginaLU
 
   

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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