Francisca Edwiges Neves Gonzaga Nasceu em 17 de outubro de 1847 e faleceu em 28 de fevereiro de 1935, aos 88 anos, no Rio de Janeiro, às vésperas do carnaval, festa que amava. Quis como efitáfio na sua tumba apenas as palavras "Sofreu e chorou'. 

Chiquinha Gonzaga teve seu primeiro piano aos 9 e compôs a primeira música com apenas 11 anos de idade.

Casou-se com o oficial da Marinha Mercante Jacinto Ribeiro do Amaral aos 13 anos. Aos 16, nasceu o primeiro filho, João Gualberto. No ano seguinte, teve Maria. Seu casamento durou apenas 3 anos porquanto quando o marido a intimou a escolher entre a família e a música, ela teria respondido: "Pois, senhor meu marido, eu não entendo a vida sem harmonia!".

A separação custou-lhe o rompimento das relações com o pai que na ocasião teria declarado a filha "...morta e de nome impronunciável".

Passou a viver com um "bon-vivant" com quem teve a filha Alice Maria. Ao surpreendê-lo com outra mulher deixou-o e enveredou definitivamente para a carreira artística, sustentando-se e à filha com as composições e dando aulas.

Foi uma mulher à frente do seu tempo e politicamente engajada. Famosa e comentada, foi alvo de maledicências e preconceitos, tendo  participado ativamente da campanha republicana e do movimento abolicionista, vendendo suas partituras para obter fundos para a campanha. Conta-se que em 1888, com o dinheiro da venda da partitura da música "Caramuru" comprou a alforria do escravo e músico José Flauta.

O tango "Gaúcho" que mais tarde ganhou letra e passou a chamar-se "Corta-Jaca", fez tanto sucesso que foi executado pela esposa do presidente  Marechal Hermes da Fonseca, Nair de Tefé, em pleno Palácio do Catete, o que foi considerado quebra de protocolo, resultando em grande escândalo.          

Enquanto ouvia o ensaio do Cordão Rosa de Ouro, em 1899, compôs sua primeira marcha carnavalesca, "Ó Abre Alas".

Outro escândalo para a época, foi o envolvimento com Joãzinho Gonzaga, 36 anos mais jovem que ela.

"Seu coração inquieto e ardente ainda tinha espaço para o amor. Também em 1899, já com 52 anos, une-se a João Batista, de apenas 16 anos, e o apresenta como filho, solução que julga suficiente para evitar maiores constrangimentos. Os que a conhecem, por admiração e amizade, fingem acreditar. Malgrado a diferença chocante de idade, foi uma união tão forte que duraria até seu falecimento, e mais além, já que Joãozinho jamais trairia a memória da "mãe" com revelações indiscretas". (Abel Cardoso Junior)

Chiquinha não parava! Nem de compor e musicar, nem de participar de situações direta ou indiretamente ligadas à música e à arte, como quando integrou o grupo fundador da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) ou lançando a campanha para construção de uma nova sepultura para Francisco Manuel da Silva, compositor do Hino Nacional Brasileiro.
A última partitura, "Maria", foi escrita em 1933, aos 85 anos.
Sua produtiva obra inclui 77 peças de teatro que musicou, duas mil composições incluindo valsas, polcas, tangos, lundus, fados, maxixes, serenatas,músicas sacras. Dentre suas obras estão "Ó Abre Alas", "Atraente", "Casa de caboclo", "Faceiro", "Falena" e "Lua branca".

Segue a letra de Lua Branca

Composição: Chiquinha Gonzaga

Ó, lua branca de fulgores e de encanto
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo
Ai, por quem és, desce do céu, ó, lua branca
Essa amargura do meu peito, ó, vem, arranca
Dá-me o luar de tua compaixão
Ó, vem, por Deus, iluminar meu coração
E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada
E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim


Segue a letra da marchinha Ô Abre Alas

Composição: Chiquinha Gonzaga

Ô Abre Alas,
Que eu quero passar (2 X)

Eu sou da Lira,
Não posso negar (2 X)

Ô Abre Alas,
Que eu quero passar (2 X)

Rosas de Ouro é quem vai ganhar (2 X)


imagens e midi obtidas via internet e grupos de troca
montagem e formatação reginaLU

Diana Pequeno canta Lua Branca 
 
Referências:
Bibliografia: Chiquinha Gonzaga, Uma História de Vida, Edinha Diniz, Editora Codecri, 1984; Panorama da Música Popular Brasileira La Belle Époque, Ary Vasconcelos, Livraria Santana, 1977; Música Popular-Do Gramofone ao Rádio e TV, José Ramos Tinhorão, Editora Ática, 1981