Thales
 
 

 
 

 

 

 

 
 

 

 
 

 
 
 
 

 
 
Maria Quitéria de Jesus nasceu em Feira de Santana, em 1792, filha de fazendeiros portugueses. Nunca foi à escola.
Dotada de muita perspicácia e inteligência, aprendeu sozinha a cavalgar, portar e manusear armas, tornando-se a heroína mais respeitada de toda a Guerra da Independência.
Quando da convocação para lutar contra os portugueses, Maria Quitéria pediu ao pai para alistar-se e este negou. Foi então para a casa de sua irmã Teresa e de seu cunhado, José Cordeiro de Medeiros e com a ajuda deles, cortou os cabelos, vestiu-se de homem e foi para Cachoeira, onde se alistou com o nome de Medeiros no Batalhão dos Voluntários do Príncipe, chamado de Batalhão dos Periquitos, por causa dos punhos e da gola verde de seu uniforme.
Depois de duas semanas foi descoberta pelo pai que andava à sua procura, mas o major Silva e Castro não permitiu que fosse desligada em virtude de sua facilidade em manejar armas e por sua reconhecida disciplina militar e valentia. Tornou-se exemplo de bravura nos campos de batalha, foi promovida a cadete (1823) e condecorada no Rio de Janeiro com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul (1823) em uma audiência especial, onde recebeu a medalha das mãos do próprio imperador, D. Pedro I.
Reformada com o soldo de alferes, voltou à Bahia com uma carta do Imperador ao seu pai pedindo que  fosse perdoada pela desobediência. Perdoada, casou-se com um namorado antigo, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Viúva, mudou-se para Feira de Santana, para tentar receber parte da herança do pai que havia falecido (1834). Desistindo do inventário, mudou-se com a filha para Salvador, onde morreu quase cega em total anonimato, em agosto de 1853. 
Em 28 de junho de 1996, um decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu Maria Quitéria como Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro, uma das poucas divisões do Exército que aceitam integrantes do sexo feminino.

Ela disse:
 
"Eu gostaria de entrar nua no rio, caso estivesse no sítio do meu pai. Mas estou aqui  entre homens, somos todos soldados, e o banho no Paraguaçu é forçado. Os portugueses de uma canhoneira bombardearam Cachoeira, então um bando de Periquitos, e entre eles eu e mais cinco ou seis mulheres, entramos no rio, de culote, bota e perneira, dólmen abotoado e baioneta calada.
 
Queríamos que os agressores desembarcassem para o combate em água rasa da margem. E eles vieram, aos brados. Traziam armas brancas. Alguns as mordiam com os dentes. O encontro deu-se num banco de areia, com água pela cintura. Senti quando a água fria subiu pelas pernas, abraçou as coxas e espalhou-se pelas virilhas.
 
Um toque frio, desagradável. Com o calor da luta, tornou-se morno. E houve um instante em que eu tinha água pelos seios. Senti que os mamilos se enrijeciam sob a túnica. Pensei outra vez no sítio, na rede em que costumava embalar-me. Ali tudo era cálido, os panos convidavam ao sono. Aqui, luta-se pela vida, pela nossa Cachoeira, pela Pátria.
 
Mas uma voz secreta me sopra que também luto por mim. Estou guerreando, sim, para libertar Maria Quitéria de Jesus Medeiros da tirania paterna, dos sofridos afazeres domésticos, da vida insossa. Ah, eu combato, com água no nível dos peitos, pela libertação da Mulher, pela nova Mulher que haverá de surgir.
 
Minha baioneta rasga o ventre de um português que não quer reconhecer a Independência do Brasil gritada, lá no Sul, pelo Imperador D. Pedro. "
 
 
 
 
 
imagens e midi obtidas em grupos de troca
Hino da Independência
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Referências:
 
 
 

 

 
 
 

 
 

 
 
 
 

 






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